Em setembro de 2026, o Google Ads começou a liberar um quadro novo na tela inicial, chamado em inglês de Spend Benchmarks. Ele mostra quanto você gastou na semana e quantos cliques teve, lado a lado com a média de “empresas parecidas”. Em algumas contas, ele aparece junto com a recomendação de aumentar a verba.

Um exemplo publicado pela Search Engine Roundtable: uma conta gastando €284 por semana, contra €268 dos concorrentes, e com 912 cliques contra 765. Em outras contas o número vai aparecer ao contrário, e o dono vai ler “estou gastando menos que os outros”. Segundo o Google, as “empresas parecidas” são definidas pelo ramo e pela região onde você anuncia. Ele não diz quantas são nem quem são.

É aí que mora o problema. O quadro compara gasto e clique. Não compara lucro, preço do serviço nem quantos contatos viram venda, e é isso que define quanto você pode investir.

Resumo rápido (o que fazer hoje)

  1. O quadro novo compara seu gasto semanal e seus cliques com a média de empresas parecidas.
  2. “Parecida” quer dizer mesmo ramo e região, não o mesmo negócio.
  3. O quadro não enxerga sua margem, seu ticket nem sua taxa de fechamento.
  4. Aumentar a verba só porque o vizinho gasta mais é decidir com a conta dos outros.
  5. O valor certo sai de uma conta simples, feita antes de o anúncio rodar.
Custo máximo por contato:
Lucro por cliente ÷ contatos necessários pra fechar 1 cliente

Exemplo: lucro de R$ 400, fecha 4 em cada 10 contatos
R$ 400 ÷ 2,5 = R$ 160 por contato, no máximo

Pré-requisitos

  • Acesso à sua conta do Google Ads (a conta precisa estar no seu nome).
  • Saber quanto você cobra, em média, por serviço ou venda.
  • Saber, mesmo que por alto, de cada 10 contatos quantos viram cliente.
  • Contatos medidos no Google Ads (ligação, WhatsApp, formulário).

Se os contatos ainda não estão medidos, comece por aqui: como medir ligações e formulários sem se enganar. Sem isso, qualquer comparação de verba é chute.

Passo a passo: o que fazer quando o quadro aparecer

1) Não mexa na verba no mesmo dia

O quadro foi feito pra chamar atenção. Anote os números e feche a tela. Nenhuma decisão de verba precisa ser tomada em cima de um aviso.

2) Olhe a sua margem, não a do vizinho

Quanto sobra de cada serviço depois de pagar os custos? Quem lucra R$ 800 por serviço pode pagar muito mais caro por um cliente que quem lucra R$ 150. A mesma verba pode ser pouco pra um e prejuízo pra outro.

3) Olhe o seu ticket

Quem vende um serviço de R$ 2.000 não pode investir igual a quem vende um de R$ 200, mesmo que os dois sejam “empresas parecidas” na visão do Google.

4) Olhe a sua taxa de fechamento

Se você fecha 5 em cada 10 contatos e o concorrente fecha 1 em 10, você precisa de muito menos clique pra ter o mesmo faturamento. Gastar menos que a média pode ser sinal de que você está fazendo certo.

5) Faça a conta do custo por contato que você aguenta

Lucro por cliente dividido pela quantidade de contatos que você precisa pra fechar um. Esse é o máximo que você pode pagar por contato sem ter prejuízo. Compare com o custo por contato que o Google Ads mostra hoje.

6) Só aumente a verba se a conta fechar

Se o custo por contato está abaixo do máximo que você aguenta e a campanha está limitada por orçamento, aí sim vale aumentar. Se não está, o problema provavelmente é outro. Sobre isso: orçamento limitado ou campanha limitada pelo método?

Checklist final

Erros comuns + correção

1) Aumentar a verba pra “empatar” com a média

Erro: ver que gasta menos que as empresas parecidas e subir o orçamento pra igualar.

Correção: a média mistura negócios com margens e preços diferentes. Empatar com ela não garante nada. Decida pela sua conta.

2) Achar que mais clique é melhor

Erro: comemorar porque teve mais cliques que os concorrentes.

Correção: clique não paga boleto. O que importa é quantos cliques viram contato e quantos contatos viram venda.

3) Ignorar o quadro de vez

Erro: fingir que ele não existe.

Correção: ele serve como termômetro. Se o seu custo por clique está muito acima do mercado, vale investigar concorrência e anúncio. Só não use o quadro pra decidir verba.

4) Decidir verba sem medir contato

Erro: olhar só gasto e clique.

Correção: sem ligação, WhatsApp e formulário medidos, qualquer decisão de verba é chute. Arrume a medição primeiro.

Exemplo prático

Exemplo didático: uma clínica de estética vê no quadro que gasta R$ 300 por semana e as “empresas parecidas” gastam R$ 450.

  • Lucro médio por procedimento: R$ 400
  • Fecha 4 em cada 10 contatos
  • Custo máximo por contato: R$ 400 ÷ 2,5 = R$ 160
  • Custo por contato atual: R$ 45

Ela tem folga. Se a campanha estiver limitada por orçamento, aumentar a verba faz sentido. Mas o motivo é a conta dela fechar, não o vizinho gastar mais.

Agora uma barbearia com lucro de R$ 30 por corte, que fecha 3 em cada 10 contatos. O máximo que ela aguenta é R$ 9 por contato. Se já paga R$ 12, aumentar a verba só aumenta o prejuízo.

Experiência prática

Tenho dois clientes no mesmo ramo, toldos e coberturas, que pelo critério do Google (ramo e região) entrariam como “empresas parecidas”. Estes são os últimos 90 dias de cada um:

Empresa AEmpresa B
Investimento por semanacerca de R$ 690cerca de R$ 140
Custo por cliqueR$ 6,23R$ 1,82
Contatos no período339248
Custo por contatoR$ 26R$ 7
Buscas perdidas por falta de verba28% a 37%21%

Se o quadro comparasse as duas, a Empresa B ia aparecer como a que “gasta pouco”. Só que ela investe cinco vezes menos e traz quase três quartos dos contatos da A, pagando cada contato quase quatro vezes mais barato.

Vale aumentar a verba da B? Vale, mas pelo motivo certo: o contato sai barato, o ticket aguenta e ela está perdendo 21% das buscas por falta de orçamento. O vizinho gastar mais não entra nessa conta.

Métricas explicadas sem jargão

Gasto semanal: quanto saiu do cartão na semana.

Cliques: quantas pessoas entraram no seu site ou perfil pelo anúncio.

Custo por clique: quanto você pagou por cada entrada.

Conversões: contatos que chegaram (ligação, WhatsApp, formulário), se estiverem medidos.

Custo por conversão: quanto você pagou por cada contato. É a métrica que decide verba.

Empresas parecidas: média de anunciantes que o Google considera do seu ramo e região. Não é o seu concorrente direto, e o Google não diz quem são.

FAQ

O quadro de comparação aparece em todas as contas?

Ele começou a ser liberado em setembro de 2026, aos poucos, e ainda não tem página de ajuda oficial do Google. Pode ser que ainda não apareça na sua conta.

Quem são as “empresas parecidas”?

O Google não diz quem são. É uma média de anunciantes que ele considera próximos de você pelo ramo e pela região, sem levar em conta preço, margem ou quantos contatos viram venda.

Se eu gasto menos que a média, estou perdendo cliente?

Não necessariamente. Se sua taxa de fechamento é alta ou seu ticket é baixo, gastar menos pode ser o certo. Só dá pra saber fazendo a sua conta.

Então nunca devo aumentar a verba?

Deve, quando a conta fechar: custo por contato abaixo do máximo que você aguenta e campanha limitada por orçamento. A decisão vem da sua margem, não do quadro.

Calcule a sua verba

Para chegar no número do seu caso, a calculadora de investimento usa o seu ramo, a sua cidade e a meta de contatos do mês para devolver a verba diária.

Fontes

Antes de mexer na verba, faça a conta com quem entende dela

O quadro do Google mostra o que os outros gastam. A decisão certa depende do que você lucra, do que você cobra e de quantos contatos você fecha. É essa conta que eu faço antes de qualquer centavo a mais entrar na campanha.

  • Custo máximo por contato calculado pro seu negócio
  • Leitura de onde a verba está limitando e onde está sobrando
  • Decisão de verba baseada na sua margem, não na média do mercado

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Sobre o autor:

Gê Carvalho trabalha com estratégia e operação de Google Ads com foco em gerar contatos mais qualificados, sem confundir recomendação automática com decisão automática e sem tratar orçamento como remédio para tudo.